Falo, hoje, sobre o uso compartilhado de seringas no consumo de drogas injetáveis. É óbvio que o consumo individual também gera danos à saúde.
Todavia, o consumo coletivo ou em grupos, todos empregando a mesma seringa, tem um alcance mais desastroso, porque pode resultar na transmissão de doenças, principalmente a hepatite (B e C) e o mortal vírus HIV. Daí pode nascer o efeito dominó. Novos contaminados que vão retransmitindo para novas pessoas, através de seringas ou por outros meios, como as relações sexuais.
O Brasil, embora timidamente, procura fazer alguma coisa para evitar essas transmissões, quando desestimula o compartilhamento de seringas e, normalmente em épocas festivas, distribui camisinhas. Em 2008, o Brasil distribuiu 406 milhões de preservativos. Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, distribuiu 3,6 milhões. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a camisinha ainda é a melhor maneira de evitar as doenças sexualmente transmissíveis. A eficiência passa de 90%. Em 2009, o investimento mundial em relação à AIDS chegou a 9 bilhões de dólares.
Vou aos números.
Geograficamente situado ao lado de um oásis de produção de cocaína (Colômbia, Peru e Bolívia) e consumidor de drogas sintéticas, o Brasil é o 4º maior usuário de drogas injetáveis do mundo. Só perde para a China, os Estados Unidos e a Rússia. Os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS). A legião de usuários de drogas injetáveis já passa de quinze milhões de pessoas, sendo que, destes, em torno de três milhões já estão infectados com o vírus da aids.
Por meios diversos, hoje, o mundo possui mais ou menos 35 milhões de contaminados. De 1980 até hoje, já teriam morrido mais de 25 milhões, de acordo com a OMS. Como, em média, dez por cento são os contaminados pelo compartilhamento de seringas, 2,5 milhões teriam morrido por conta de drogas injetáveis. A hepatite, tipos B e C, mataria, por ano, 1,5 milhão de vítimas no mundo. Há transmissão também por seringa compartilhada. Não sei qual o percentual.
No Brasil, seriam 600 mil contaminados com o vírus da aids. Dez por cento sobre isto resultam exatamente 60 mil adquirentes através de seringas. Em torno de 40% seria a média de óbitos, o que daria 240 mil. A cota de 10% atribuída a drogas injetáveis resulta em 24.000 mortes. Dos 5.600 contaminados em Mato Grosso do Sul até 2008, por meios diversos, 556 correspondem a transmissão por seringa. Daquele total, 2.013 já morreram. Logo, 201 são os óbitos devidos a drogas injetáveis no Estado. Campo Grande, com uma população de quase 800 mil habitantes, responde por 2.700 infectados, sendo 270 por seringa. Foram 1.144 óbitos (42%) até 2008, dos quais 114 devido ao emprego de seringas compartilhadas.
Estou falando apenas de uma vertente dos efeitos das drogas: mortes por aids.
Cada vez que se usa droga é dado um passo na direção do cemitério.
Reprodução autorizada com citação da fonte.
Favor divulgar este blog também nas escolas.
Próximo assunto: gastos com condenados por drogas.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
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ótimo artigo...
ResponderExcluiracho que o pessoal tá meio sismado de comentar porque tem muita estatística..números assustam...rs
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Pessoalmente acredito que o real número de infectados pelo HIV seja maior... devido a janela imunológica da doença. Quantas pessoas por aí devem ter e nem se dão conta (afinal os sintomas demoram pra surgir - na maioria dos casos)... e outra sinceramente só agora que as pessoas (principalmente os jovens) tão se tocando em usar a camisinha de modo constante.
Some isso (da geração passada não ser muito adepta de preservativos) + a janela imunológica. Tenho certeza que tem muita gente por aí espalhando (ou pelo menos já espalhou) o vírus e nem sabe...
Por isso todo cuidado é pouco hoje em dia...
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Dr. o senhor poderia fazer um post sobre os efeitos a longo prazo no organismo de drogas como o Crack (por exemplo)... talvez até tenha aqui, mas eu sinceramente eu não procurei...
até mais
MEUS PARABENS !
ResponderExcluirCONTINUE FORTE, ORGULHO PARA OS ESTUDANTES DE DIREITO !
ABRAÇOS
olha, eu nunca pensei que o brasil tivesse tantos usuarios de drogas injetaveis, visto que uma das drogas mais consumidas, o crack, nao precisa de ser injetada para ser consumida
ResponderExcluirUm grande homem, um grande jurista, uma pessoa de coragem extrema. Parabéns Nobre Magistrado.
ResponderExcluirAss. Igor (advogado no PR)
O Senhor está de parabéns com este trabalho de punir o câncer da sociedade que são os grandes traficantes.
ResponderExcluirUm Trabalho que é digno de uma pessoa com honra e muita coragem.
Muito obrigada